"Pastor Divorciado continua no ministério (.)(?) (Parte 1)


(Parte 1)


Afirmação ou interrogação. O título acima, antes de tudo, remete à reflexão a respeito do tema. E logo haverá os que sem dúvida afirmarão: pode! De outro lado, e com a mesma intensidade, aqueles que farão a pergunta: pode?

Para um debate de tamanha envergadura, faz-se necessário verificar alguns aspectos que venham levar para um posicionamento. Ainda que possa parecer simples, considerar estes aspectos iniciais, fundamentarão as conclusões que venham a ser tomadas. Tomando o próprio título, retira-se dele, a base da discussão do tema, ou seja, “Pastor”, “ministério”, “divórcio”. Compreendendo estes termos, será possível tomar alguma posição.


- PASTOR –

Aquele que está na Igreja para dirigir a mesma, cuida da vida espiritual dos membros e tem o cuidado de que cada um possa desenvolver-se no relacionamento com o Senhor Jesus, e tornando o testemunho do evangelho crido e respeitável diante da sociedade. Para poder cumprir com esta função, a pessoa teve uma conversão a Jesus Cristo e consequentemente um chamado para uma vocação de dedicação especial dentro do Reino de Deus.

Cada um destes que foi chamado, porém, é um ser humano, que nasce dentro de uma família nuclear (pais e irmãos), e rodeado pela família maior (avós, tios, primos e demais). Indo além, este individuo também é inserido, mais cedo ou mais tarde, na família expandida, que aqui consideramos a Igreja. Esta pessoa, para ser entendida e compreendida, necessita ser vista em sua integralidade, não apenas nas questões básicas como, corpo, alma e espírito. Além disto, o chamado por Deus, tem as suas relações sociais, a sua classe social, formação formal e informal. Em outras palavras, até o momento em que é chamado por Deus para cumprir uma vocação pastoral/missionária/diaconal, a pessoa é comparável a toda e qualquer pessoa dentro e fora da Igreja, sujeita a todas as benção e/ou mazelas da vida.

Essa verdade pode ser exemplificada pela própria palavra de Deus. Um exemplo disto é a chamada dos próprios discípulos de Jesus. Pedro, André, João e Tiago eram pescadores, na pratica de sua profissão e pertencentes à uma família (Mt. 4:18-21). Assim como outros discípulos também são identificados por estas particularidades, como Mateus (Mt. 9.9). Ainda no Antigo Testamento, há aqueles que foram chamados do meio de suas atividades normais e naturais da vida, como Moisés, Davi, Neemias, Sansão e muitos outros.

As considerações acima são de importância, pois quando o Pastor está, ou chega, na Igreja estes aspectos podem não serem devidamente mensurados. E, consequentemente, ações ou atitudes do Pastor são avaliadas mais em razão de sua posição e função, com pouca consideração à sua humanidade, natural e presente nele também.


- MINISTÉRIO –

O ministério pode ser definido, resumidamente, como tudo aquilo que o Pastor faz. Entre as principais funções pastorais estão: a. Pregar – 2 Tm. 4:2; b. Pastorear, alimentar – I Pd. 5:2; c. Edificar com autoridade – 2 Co. 13:10; d. Orar pelo rebanho – I Sm 7:5, 8; I Co 1:4-5; e. Velar pelas vidas – At 20:28-31; f. Lutar pelo Evangelho – I Tm 1:18. À frente da Igreja o pastor Pastoreia, Gerencia e Administra as (a) Pessoas, (b) Atividades, (c) a Instituição. No grupo das pessoas encontram-se os participantes dos Cultos; diáconos e líderes; visitas; aconselhamento. Entre as atividades estão o gerenciamento de Departamentos; de Ministérios; de Ações Especiais, entre outros. E quanto à Instituição, registra-se a condução de reuniões e Assembleias; acompanhamento de Orçamento; representação da Igreja diante da Convenção e sociedade.

Cada uma destas atividades é fruto de sua vocação, que após o preparo adequado, são desempenhadas diariamente, com a perspectiva celestial da excelência. Perceba-se, excelência, não perfeição!

Inclua-se neste contexto do ministério, a vida familiar. Volta-se ao ponto anterior, onde é destacado que o pastor antes de tudo é humano e vive também as mesmas situações familiares de todos os membros da Igreja. Isto inclui, tempo para a esposa, brincar com os filhos, manter a casa e visitar os próprios parentes, quando possível. Pode ser também, que o próprio pastor tenha que levar um filho ou a esposa ao médico!

Acima de tudo, o ministério é um privilégio e uma honra dada pelo próprio Deus. Conclui-se este ponto, afirmando que Deus é quem estabelece pastores para a Igreja (Jr 3.15); Tais pastores devem amar e velar pelas almas dos fiéis; A Igreja, como corpo de Cristo, precisa considerar e obedecer aos seus guias, enxergando-os como irmãos, sujeitos às mesmas fraquezas, no entanto, chamados para um serviço de grande responsabilidade (Hb 13.7, 17).

- DIVÓRCIO –

O que é o divórcio, senão um acontecimento devastador em uma família!? No Brasil aconteceram 328.690 divórcios (dados do ano de 2015); a média de duração de um casamento antes do divórcio é de 15 anos. No Rio Grando do Sul, esta média pode chegar a 18 anos, tendo no Acre a média mais baixa; por lá os casamentos duram em média 12 anos. (Fonte: https://goo.gl/OCPlLk) Segundo o Instituto George Barna (USA) a cifra de divórcio entre evangélicos e não evangélicos é praticamente a mesma. Praticamente um terço dos casamentos acabam em divórcio (https://goo.gl/7557ZO). Basicamente, todas as famílias são susceptíveis ao rompimento. É difícil conceber que hajam casais, que no dia do casamento já estejam certos de irão se divorciar. Até, porque, as causas para o divórcio são múltiplas.

Entre as causas para o divórcio podem ser mencionados: a banalização do casamento como instituição divina, na sociedade como um todo; o hedonismo, quando o prazer é o objetivo maior na vida; a falta de modelos dignos para seguir, ou seja, muitas vezes o casamento dos pais é uma péssima referência; a mídia fazendo diariamente apologia do adultério; a falta de orientação pré-conjugal; a falta de espírito de perdão; a imaturidade dos casais. Outras causas podem ser acrescentadas. Fato é que o divórcio não chega de uma hora para outra. O divórcio se instala numa família como as dinamites são colocadas num prédio a ser implodido. Um evento (o acionar do detonador) derruba o prédio. Assim de maneira semelhante o casamento/divórcio.

E a família do Pastor? Este que é colocado na Igreja como sendo o referencial de conduta, vida espiritual e familiar (I Tm 4.12), e mesmo assim, sujeito às mesmas provações e tentações, como todos os demais na Igreja. De maneira nenhuma isto o coloca como justificado, nem mesmo como sendo invencível.

Concluindo (esta parte, haverá sequência) reforça-se a convicção de que o Pastor é um ser humano como os demais, vivendo dentro de um sistema familiar, social, eclesiástico, etc; que, porém, exerce uma função sem comparações dentro deste mesmo ambiente, e, que por circunstancias diversas está sujeito, inclusive ao divórcio. Este como sendo um acontecimento que pode ser evitado, mas que as pessoas nele envolvido, devem ser tratadas es restauradas na sua integralidade.


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